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Você conhece as especializações que sempre estiveram presentes na Medicina?

novembro 25, 2019

A Medicina existe há milhares de anos! Desde a Antiguidade. Mas e as especializações médicas, só surgiram nos tempos atuais? Veremos agora que não haviam as separações propriamente ditas como hoje, porém desde muito tempo há certas divisões na medicina...

thedoctor

Na idade antiga, alguns mil anos antes de Cristo, os egípcios já possuíam médicos especialistas. Os papiros, como também monumentos erigidos para alguns desses profissionais, comprovam esse fato. No Antigo Egito, havia médicos especialistas em moléstias oculares, que realizavam cirurgia de catarata; em moléstias de vias respiratórias, do ânus, entre outras. Eis que estavam de pé os primeiros oftalmologistas, pneumologistas e proctologistas?

Na China havia cinco categorias: médico chefe (que coletava medicamentos e examinava outros médicos); médico dietólogo (que receitava as seis classes de alimentos e bebidas); médico para enfermidades simples (como dores de cabeça, resfriados, feridas menores etc.); médico de úlcera (talvez cirurgiões) e médico de animais.

Na Grécia, onde a Medicina ganhou o racionalismo, e em Roma, não havia especialistas como entendemos hoje. Os médicos exerciam a clínica e a cirurgia concomitantemente. Entretanto, havia aqueles engajados no exército que acabavam por “especializar-se” mais no tratamento dos traumas de guerra. Já imaginou a 56ª especialidade médica do Brasil ser medicina de guerra?

Na Idade Média a Medicina estagnou, devido a proibição a 7 chaves de qualquer conhecimento... claro, que isso na Europa Medieval!

Porque a Idade Média Árabe foi bem diferente e importante para as especialidades: "Os hospitais árabes, chamados bimaristan (palavra persa que significa “casa dos doentes”), eram superiores aos ocidentais daquela época em higiene, limpeza e organização, como o Al-A’dudi, em Bagdá; Al-Mansuri, no Cairo; o de Gundihaspur, na Pérsia; Al-Nuri, em Damasco; e o de Marrakech, no Marrocos. Alguns eram divididos em áreas para doenças abdominais, cirurgia, dermatologia, oftalmologia, doenças psicológicas, ossos e fraturas, entre outras. Os médicos árabes aceitaram e se engajaram nas doutrinas hipocrática e galênica e, em geral, tinham formação eclética, médica e filosófica, mas havia os que atuavam de forma especializada."

A tendência à especialização como a conhecemos iniciou-se a partir do século 18, com o avanço da ciência em todos os campos. Os novos estudos e descobertas ampliaram os horizontes da Medicina. As especialidades surgem, então, como fruto da evolução do conhecimento, pois o homem, no curto espaço de sua vida, não teria mais possibilidade para dedicar-se integralmente a todos os ramos da ciência, que crescia a cada dia. A Cardiologia nasce naquele século com os trabalhos de Giuseppe Testa, na Itália; mas foi o clinico francês Jean Nicholas Corvisart o primeiro a autodenominar-se especialista em coração, tendo sido médico de Napoleão Bonaparte. No mesmo século, surge ainda a Obstetrícia, a Pediatria e a Endocrinologia. Os estudos físicos sobre a luz e a cor proporcionam o aparecimento da oftalmologia (em 1773, em Viena, Maria Tereza fundou a primeira escola de oftalmologia). Outras especialidades foram aparecendo no decorrer do século 19.

No começo do século 20, após a Primeira Guerra, observou-se a necessidade de formação de profissionais dedicados à reconstrução corporal, à reparação humana. A cirurgia plástica, que vinha sendo exercida desde os primórdios da humanidade, torna-se uma especialidade. O avanço tecnológico do século 20 multiplica as especializações, provocando o surgimento de muitas ligadas aos novos aparelhos, como a Radiologia, a Endoscopia, a Medicina Nuclear e também outras motivadas pelas novas situações sociais, como a Medicina de Tráfego, por exemplo.

No Brasil, até meados do século 20, o médico intitulava-se especialista quando se julgava apto para tanto, após ter feito sua formação acompanhando alguém mais experiente ou trabalhado em um serviço especializado de um hospital. Não havia, ainda, uma regulamentação específica nesse sentido. A Residência Médica só aparece a partir dos anos 40.

A especialização, portanto, nasceu da necessidade frente à expansão e diversificação do conhecimento médico, qual um tributo ao progresso da ciência. O saudosismo do antigo “médico de família”, que adentrava os lares e cuja simples presença já era fator de cura, tem seu lugar, tanto que há, inclusive, entre as especialidades reconhecidas, a Medicina de Família e Comunidade. Seria impossível para o médico congregar todo o conhecimento da medicina atual.

Contudo, o médico pode ainda cultivar a característica mais marcante, mais saudosa e mais importante do antigo “médico de família”: o carisma, gerado pelo carinho, pela dedicação, pelo amor e pelo esmero com que ele tratava seus pacientes e que inspirava a confiança e o respeito que permitiam vê-lo numa redoma.

Cada especialista, no consultório ou no hospital, ao exercer a arte de curar, no universo de sua especialidade, pode possuir a aura do médico de outrora, desde que saiba cultivar o lado humano da profissão e apoiar-se adequadamente no mais perfeito relacionamento médico-paciente, que a despeito de toda a evolução científica, ao longo da história da humanidade, permanece alicerçado nos mesmos e imutáveis princípios primordiais.

Fonte: https://www.cremesp.org.br/?siteAcao=Revista&id=673